Espírita ou Umbandista?

Ouve-se, vez ou outra, algum frequentador de nossos templos, quando indagados acerca da religião que professam: “Eu sou espírita.Quer dizer, ainda não posso me chamar Umbandista”. A afirmativa deixa no ar uma dúvida: Pode-se ser meio Umbandista? Interessante que sempre encontramos esse receio de nos intitularmos seguidores de uma doutrina religiosa, principalmente se esta tiver um histórico de perseguições, preconceitos, entre outas formas de desrespeito. Penso que os adeptos da Umbanda até serão os espíritas, caso queiram segmentar a sua crença, ou, se o quiserem, os espiritualistas, dando uma ideia  universalista. Logo se vê que não há porque ficar procurando outra denominação ou temer usar a correta, que seria, na nossa visão, o termo Umbandista. Se for adepto da Doutrina Espírita, é espírita. Caso contrário, “africanizemos” nossas mentes, pois seremos Umbandistas na acepção da palavra. Quanto a ser o adepto fiel ou não dos princípios da nossa amada Umbanda, entre as diversas escolas e categorias dos que se convenceram sejam por quais razões forem, se destacam: Primeiro os que simplesmente creem nas manifestações dos guias e Orixás, os que consideram a Umbanda apenas uma série de fatos mais ou menos curiosos. São os frequentadores denominados “experimentadores”. Aqueles que se detêm na manifestação, acham maravilhosa a mediunidade, admiram o que as entidades fazem. São os frequentadores de superfície, ou seja, estão semanalmente nas nossas assistências, mas permanecem de “braços cruzados”. Outra categoria é a dos assistidos imperfeitos. Esses vão além dos fatos.Compreendem a parte filosófica da Doutrina Umbandista e admiram a moral. Mas continuam a ser o que sempre foram: ciumentos, invejosos, avarentos, ociosos. Admiram as mensagens que chegam, se extasiam com as palestras e exposições, cumprimentam palestrantes e expositores com entusiasmo, mas não modificam suas condutas. Botar o “pé descalço” num terreiro, servir ao próximo, renunciar aos finais de semana? De forma alguma. Existe uma outra categoria que passa anos e anos frequentando os templos, comprando livros, até por acharem as capas muito bonitas, vistosas, “mudam de Casa como mudam de roupa”,  mas não se deixam penetrar pela mensagem renovadora da espiritualidade.São os que entram na Umbanda, sem permitir que a Umbanda entre na intimidade. Temos ainda os “praticantes imediatistas”: Estes aceitam tudo o que vem dos Espíritos, sem exame, sem verificação. Até as coisas mais absurdas aceitam, sem contestar.

São também esses os que tudo consideram obra da “minha entidade”.Graças à “confiança cega e ao próprio ego,” são iludidos facilmente e explorados por Espíritos mistificadores e pessoas de má fé.Esse tipo de irmão, sem saber, dá arma aos incrédulos, aos zombadores, que desejam ridicularizar as nossas tradições. Finalmente, temos os “convictos”. São os “verdadeiros seareiros”. São os que estudam, se aprofundam no conhecimento espiritualista em geral, convencidos de que a existência na Terra é passageira, que estão tendo uma oportunidade de crescimento. Esses aproveitam todos os momentos para adentrarem na senda do progresso, colocando em prática tudo que lhes foi ensinado. Esforçam-se por fazer o bem e por dominar os suas más inclinações. A caridade é sua linguagem e sua regra de proceder.Com as divisões acima é possível detectarmos que tipo de umbandistas somos e trabalharmos para nos tornarmos os “verdadeiros tarefeiros”, pois somente assim estaremos aproveitando as belíssimas chances que o astral superior nos concede diuturnamente: conhecermos os ensinamentos sagrados transmitidos pelas entidades e orixás. Nossa religião convida o homem para ser hoje melhor do que ontem e amanhã melhor do que hoje. Seu objetivo é a reforma íntima das criaturas. Zelosas, as sublimes vibrações que compõem o sagrado panteão de Umbanda prosseguem velando por nós e, de forma sutil, se fazem presentes em nossas vidas, aguardando pacientemente nosso amadurecimento. Pelos fios invisíveis das formas de sintonia, é possível sentir o carinho e a mansidão das vozes dizendo que nos aguardarão no tempo, pacientemente, para o delicado reencontro em nossa verdadeira morada, quando será então “dia perfeito”.