A política nos Terreiros

Desde o início dos tempos, quando a “luz imaterial” (Zambi) fez surgir a “luz material” ou a “luz astral,” sabemos que os sublimes coordenadores deste processo foram os senhores de todos os planos (Orixás), que estenderam o seu “agô” a determinados espíritos (Exus), que se comprometeram a preparar os planos para outros espíritos e que hoje compõem um tesouro denominado “o sagrado panteão de Umbanda”, em todas as suas formas de manifestação. Esta religião que foi plasmada neste planeta com diversos objetivos, entre os quais, a difusão do amor, de uma fé raciocinada, de uma convivência pacífica e fraterna entre as diversas culturas, entre outras metas, tem atravessado inúmeras gerações sempre marcada pelo preconceito, pela intolerância, pelo desrespeito às suas tradições, chegando ao século XXI com a exemplificação de que aqueles que a vilipendiaram não necessitam que ninguém os adjetive, senão suas próprias condições. Por outro lado, somos responsáveis por uma herança, já mencionada anteriormente, data do “início dos tempos,” traduzindo-se numa riqueza espiritual demonstrada em valores éticos, morais e espirituais, pela qual temos a grande missão de zelar, para que as gerações futuras possam dela se beneficiar e também a conduzir. No momento em que observamos determinados segmentos “ditos Cristãos” se mobilizarem para elegerem milhares de representantes para as câmaras municipais e prefeituras de todo país, cabe-nos as seguintes indagações: o que temos feito para que nossas vozes sejam ouvidas pelo poder público? Quem defenderá os sagrados interesses de nossos terreiros pelo país afora? Até quando nos omitiremos da realidade que ainda vivemos, dizendo que “não nos interessamos por política”, enquanto continuamos a “ser governados por quem se interessa”? É importante ficarmos alertas em relação à inércia que nos é peculiar, pois é necessário “buscarmos para acharmos” e “batermos para que as portas se abram.” Embora visando sempre uma parte espiritual, Jesus jamais se descuidou das coisas pequenas e mínimas da Terra. Nestes dias, em que muitas vezes, nos colocamos como omissos e descomprometidos com nossa vida em sociedade, Jesus nos fala que somos o “sal da Terra.” E este sal deve atender a sua finalidade de “preservação e de sabor.” Quando se mostra tão frequente o descrédito com o ser humano, Jesus nos alerta que somos a luz do mundo e que devemos fazê-la brilhar em nós, através das boas obras que somos capazes de executar, neste caso em prol de nossas tradições. Sabemos que alguns políticos afundam-se na corrupção, mas não temos dúvidas de que podemos ser representados por irmãos comprometidos com as Leis Divinas e com suas próprias consciências. O futuro de nossa amada Umbanda somente depende de mim, de você, de cada um dos seus milhares de adeptos espalhados pela denominada “Pátria do Evangelho.” A religião que eu quero não é irreal, nem impossível. Eu desejo praticar um credo que preze por seu passado histórico e que nunca se esqueça daqueles, cujos procedimentos se tornaram nossas referências. Eu quero uma Umbanda sem medo do amanhã. Uma Umbanda que tenha os olhos no futuro e, por isto, invista na formação de seus médiuns. Nestes dias em que os valores e as instituições são questionados e abalam-se perante a sociedade e os homens, Jesus prossegue como Modelo e Guia. O Seu amor se dirigia sobretudo aos pobres, aos humildes, aos oprimidos, tal qual fazem diuturnamente nos terreiros nossos Guias e Orixás. Jesus afirmou que “a cada um será dado segundo suas obras” e ele lidera a essa Pátria Espiritual, que é a referência indispensável para bem atravessarmos os mares bravios da atualidade, pois a luz de nossos mentores espirituais será o farol que nos haverá de conduzir ao porto seguro que nos aguarda, após a tempestade.