A Psicofonia ou Incorporação

A Psicofonia ou incorporação, também chamada pelo livro dos Médiuns de Alan Kardec como “médiuns que falam”, será o tema de hoje em um pequeno resumo ao qual pretendo passar para todos, em uma linguagem simples e de muita importância para abrir nossos conhecimentos sobre tipos de mediunidade.

A psicofonia é um fenômeno psicomotor, tendo como seu princípio a aproximação do espírito trazendo fortes sensações ao médium, atingindo suas capacidades motoras, corporais, dando a impressão de que o espírito está usando o corpo como um todo, daí a falsa ideia colocada por todos de “incorporação”.

Podemos definir como principais níveis da psicofonia em:

  • Mediunidade de incorporação inconsciente

Na inconsciente ou sonambúlica é quando o médium afirma não saber o que disse, fazendo entender, neste caso, que o espírito comunicante ter-se-ia utilizado diretamente de seu aparelho fonador, por estar ele, médium, inconsciente.

  • Mediunidade de incorporação semiconsciente

Na mediunidade semiconsciente o médium experimenta momentos de inconsciência/confusão, mas ainda assim se mantendo consciente na maior parte do tempo.

  • Mediunidade de incorporação consciente

Na mediunidade consciente é quando o médium afirma ter percebido mentalmente ou escutado uma fala proveniente de um espírito que desejava se comunicar, tendo-a reproduzido com o seu aparelho fonador.

Sabemos que nos dias de hoje, a incorporação inconsciente está cada vez mais rara, pois com a evolução e a transformação que o espiritismo vem passando, mesmo que ainda para muitos, exista a necessidade de incorporação para se demostrar esse fenômeno. Com o tempo, essa necessidade não será mais cobrada, pois o que chamamos hoje de “incorporação” poderá ser tratada como “manifestação”, onde a entidade continuará se manifestando através do médium de forma intuitiva, sem a intervenção do médium mesmo ele estando de forma consciente.

Podemos citar alguns sintomas da incorporação ou manifestação mediúnica: calafrios, tonturas, enjoos e sensação de nó na garganta sem explicação, coração acelerado mesmo em estado de relaxamento, ouvir vozes e ver vultos (Sintoma bem comum em médiuns em geral mas presente em médiuns de incorporação), sensação de frio e calor inexplicáveis, sonambulismo, movimentos involuntários das mãos ou do corpo em geral, suor excessivo nas mãos (Costuma ser um sintoma de mediunidade de incorporação e de cura), sensação de peso nas costas/ombros, formigamentos no corpo muito acentuados nas mãos, entre outros que vai depender do grau de evolução de cada médium.

Algumas dúvidas sobre a incorporação:

  • Quando há uma incorporação nosso espírito sai do corpo? – O espírito do médium não abandona o corpo no momento da incorporação, quando ele recebe um espírito, fica presente em uma espécie de transe, em estado alterado de consciência, é o que chamam de sem consciência – quando as duas consciências presentes interagem. A incorporação é um acoplamento de auras, incorporação dos chakras do espírito e do médium.
  • O médium pode ter uma incorporação sem a sua permissão? – A incorporação é uma conexão mental entre o médium e a entidade espiritual, que só acontece com a total permissão/passividade do médium, que permite que o espírito domine temporariamente a sua matéria.  As incorporações inconscientes são muito raras.
  • O médium incorporado pode ter alguma atitude ou comportamento que não seja o seu? – Quando a incorporação é permitida pelo médium, ele passa a ter gestos involuntários que não lhe são habituais, ele passa a agir sobre orientação/sugestão do seu guia espiritual. Por exemplo, os espíritos indígenas incorporam de maneira forte, com uma grande vibração, de modo ereto, algumas vezes se ajoelhando e batendo no peito. A incorporação do preto velho é mais suave, se curva, como um senhor sábio já cansado. As crianças fazem com que o médium demonstre atitudes infantis, etc. O médium já deve estar psicologicamente preparado para receber e se comportar conforme o tipo da entidade.
  • Alguns médiuns se chacoalham muito na hora da incorporação, isso é normal? – Sim, mas isso nem sempre acontece. Quando um médium chacoalha muito na incorporação de um espírito, normalmente ele está com medo ou insegurança no processo, e esse medo causa um mal-estar que faz com que o corpo chacoalhe. Para realizar uma incorporação é preciso uma boa educação mediúnica, para que o médium saiba o que vai acontecer, tenha confiança e segurança para que a recepção seja calma e tranquila. Com o tempo, esse mal-estar tende a passar, o médium evolui e o movimento do corpo na incorporação torna-se mínimo e controlado.
  • Pode o médium não se lembrar de nada após a incorporação? – Nem sempre isso acontece, mas muitas vezes sim. No momento de desincorporação, o corpo sofre um “choque espiritual” que faz com que toda a memória da incorporação seja deletada. Tudo o que o guia falou ou fez não é lembrado pelo médium, o que confirma o estado de semiconsciência dele, que sabe que algo aconteceu, mas não sabe o que.
  • Em algumas incorporações os médiuns fazem uso do fumo e da bebida, isso pode? – O fumo e a bebida são muitas vezes utilizados por guias espirituais como forma de descarrego e de transmutação de energias negativas. O uso exagerado e irrestrito do álcool na incorporação mostra desordem e desequilíbrio psico-espiritual do médium, não da entidade.
  • Incorporar sem preparo ou conhecimento é perigoso? – Toda incorporação exige uma preparação e um conhecimento prévio. Apesar de não poder ser considerado como perigoso, é algo complexo. É fundamental seguir a preparação sugerida pelos membros da Umbanda (que mudam de acordo com o terreiro) e ter a consciência e a proteção necessária. Fazer uma incorporação sem o acompanhamento e a educação mediúnica necessária pode se tornar arriscado pois pode permitir a vinda de espíritos zombeteiros que não estão interessados em evoluir espiritualmente, somente assustar ou zombar os encarnados.
  • Alguns médiuns se sentem desprivilegiados por não incorporar, todo médium é obrigado a incorporar? – A mediunidade é um dom divino que todos nós temos, em diferentes graus de desenvolvimento, mas nem todos aplicam a sua mediunidade com a incorporação. Há muitas outras formas de atuar na sua mediunidade: alguns ouvem, outros vêm, outros tem intuições, outros têm sonhos premonitórios, alguns benzem, outros oram, etc. Há uma infinidade de trabalhos possíveis e cada um deles foi oferecido como dom a uma alma que pudesse dar conta do mesmo, ninguém tem uma mediunidade que não pode controlar.

 

Os médiuns que se julgam dispensados de estudar “marcarão passo” na mediunidade, porque nesta atividade, mais do que outras, teoria e prática se complementam.